Bicuda Ecológica

Em defesa da Serra da Misericórdia


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Bicuda Ecológica

Fundada em 1998, é uma entidade ambientalista que tem como principal meta recuperar e preservar a última área verde da região da Leopoldina, a Serra da Misericórdia. Ela surgiu para estimular debates com intuito de criar a Área de Preservação Ambiental e Recuperação Urbana (APARU) da Serra e foi reflexo de movimentos sociais em torno da Rádio Comunitária Bicuda FM em 1995.

Por que Bicuda?

1995 -  Pedra Bicuda - Caminhada na Serra da Misericórdia

1995 – Pedra Bicuda – Caminhada na Serra da Misericórdia

No alto da Serra da Misericórdia existe uma formação rochosa proeminente conhecida como Pedra Bicuda. Ela é voltada para a Vila Kosmos, portanto visível da Avenida Vicente de Carvalho. Localizada no município do Rio de Janeiro  ( RJ – Brasil), esta pedra é utilizada para exercícios de montanhismo. Tratando-se de um ponto marcante da região, resolvemos tomar emprestado esse nome para batismo do movimento em defesa da Serra.

Um breve histórico

A Bicuda Ecológica tem origem na luta social local, que desde o início dos anos 90 luta pela melhoria da qualidade de vida leopoldinense. No início dos anos 90, o grupo que originou a Bicuda Ecológica, participou da fundação do Centro Comunitário da Praça 02, na Vila da Penha, que por sua vez se originou da luta pelo abastecimento de água das ruas altas – Ferreira Chaves, Conde Pereira Carneiro e Tolentino da Silva. Foi a campanha “EU NÃO SOU CAMELO, NÃO !

Em 1995, parcela dos fundadores do Centro Comunitário da Praça 02 passou a atuar na área ambiental, levantando a situação fundiária de algumas poucas áreas livres nas encostas do bairro. Entretanto, é bom frisar que no ano de 1993 houve um movimento em defesa de uma pequena área verde (04 hectares), hoje reserva florestal PARQUE JARDIM DO CARMO, localizado entre as comunidades do Jardim do Carmo (Morro do Trem), Conjunto Residencial do IPASE e Praça 02 (Largo Vitor de Oliveira).

1995 - Início da Luta pela Serra da Misericórdia - Vila Kosmos

1995 – Início da Luta pela Serra da Misericórdia – Vila Kosmos

No dia 04.06.1995 (Domingo), por volta das 10 horas, após intensa mobilização, alunos da E.M. CECÍLIA MEIRELES, situada no Conjunto Residencial do IPASE, moradores da Praça 02, Vila Kosmos e das adjacências, militantes do Partido dos Trabalhadores e ambientalistas deram um passo decisivo e num ato simbólico que reuniu 150 pessoas fizeram a primeira caminhada em defesa da Serra da Misericórdia – Vila Kosmos, iniciando na Pedra Bicuda – 174 metros ao nível do mar – um abaixo – assinado solicitando a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro uma área de proteção ambiental para a região, visto que o fogo, o gado e as explosões das pedreiras estavam destruindo o local. É dessa época a denúncia, assinada por várias entidades civis, e entregue enquanto representação a Equipe de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, na gestão da promotora de justiça, doutora ROSANI CUNHA GOMES.

Ainda, em 1995, mais precisamente, no dia 20.12 (Domingo), numa reunião realizada na rua Ferreira Chaves, 71 – Vila da Penha – em que estiveram presentes 24 pessoas, dentre elas o então presidente da Ar Livre, SEBASTIÃO SANTOS, foi fundada a Rádio Comunitária Bicuda FM 99.3 – com a missão de dar voz e vez aos movimentos sociais da região, inclusive a luta ambiental em defesa da Serra da Misericórdia que então despontava. A rádio só foi ao ar em março de 1996, após longa e profícua luta para se angariar fundos e comprar os equipamentos básicos de estúdio e para transmissão. Almoços, rifas e excursões ao Parque Nacional de Itatiaia e a Reserva Florestal de Iguaba Grande, sob administração da UFF – Universidade Federal Fluminense. O ano de 1997 foi um ano de refluxo do movimento popular local e de consolidação técnica da Rádio Comunitária Bicuda FM 99.3 – codinominada, na época, como A Nova Onda da Vila.

Em 1998, após estar 02 (dois) anos no ar a Rádio Comunitária Bicuda Fm 99.3 encerra as suas atividades, enquanto instituição, e

1996 - Primeira transmissão da Rádio Bicuda FM

1996 – Primeira transmissão da Rádio Bicuda FM

abre caminho a fundação da Bicuda Ecológica (01.08.1998). Torna-se, então, um veículo de comunicação da recém-fundada ONG Bicuda Ecológica. A reunião de fundação da Bicuda Ecológica se realizou na residência do companheiro VANDERLEI GIAROLA – Rua Fernando Gross, 46 – Praça do Carmo – e abriu, formalmente, a luta pela legalização da Rádio Bicuda e pela implantação de uma APARU (Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana) – na Serra da Misericórdia.

A Última Área Verde

Na região da Área de Preservação Ambiental e Recuperação Urbana (APARU) da Serra da Misericórdia – a última área verde da Leopoldina -, publicado no Diário Oficial do Município em 16 de novembro de 2000, encontram-se 19 bairros e diversas favelas. Dados do censo de 2000 indicam que a população dos Bairros que formam a APARU da região corresponde a aproximadamente 15% do total de habitantes do Município do Rio de Janeiro (coleção Estudos da Cidade -2002). Do total dessa população, 7,5% esta localizada nas favelas que compõem o Complexo do Alemão. Dados preliminares do Censo de 2002 indicam que este complexo de favelas demonstrou um crescimento de cerca de 2,5% em relação ao último censo (1996) (Coleção estudos da Cidade-2001), 23% em conjuntos habitacionais populares, totalizando 60% da população em habitações populares, e 40% no que se chama “asfalto” (INPLANRIO, 1991).

Pedra Bicuda pela vertente da Vila Kosmos, Rio de Janeiro.

A situação ambiental é gravíssima. Dados da FEEMA consideram esta área a mais poluída da cidade. A população local sofre com problemas pulmonares, principalmente crianças e idosos. Esta situação é agravada pela poluição química e de partículas em suspensão no ar, oriundas do parque da região e das pedreiras que operam no interior da Serra da Misericórdia. Tal situação pode ser constatada olhando-se as estatísticas dos postos de saúde da região. Vale ressaltar que a comunidade do Complexo do Alemão, situada em uma das áreas da Serra da Misericórdia, tem o maior número de casos de tuberculose de todo o Município.

A região detém o menor índice de área verde per capita do município. Isto é associado de forma direta ao aumento da temperatura média local, configurando uma “ilha de calor”, o que contribui para o agravamento das consequências da poluição atmosférica.

A atividade de mineração destinada à construção civil provocou uma forte degradação da área, destruindo os topos de morro, eliminando nascentes e a vegetação. Foram poucas as grutas e formações rochosas marcantes da Serra da Misericórdia que resistiram à destruição. A Pedra da Penha (Igreja Nossa Senhora da Penha) e a Pedra da Bicuda (em Vila Kosmos) ainda resistem.

Sendo os principais tipos de pressão antrópica sofridas pela área, a mineração e a ocupação e extensão de moradias, faz-se

2001 - Caminhada no Morro do Alemão

2001 – Caminhada no Morro do Alemão

necessário à rápida regeneração florestal das áreas públicas. O reflorestamento – mutirão remunerado pela prefeitura -, além de atuar na atenuação dos problemas acima mencionados, pode também contribuir na contenção do rápido crescimento demográfico, na conscientização da população local para a questão ambiental, e na ênfase do apelo de manutenção e aceleração de conservação da Serra da Misericórdia.

Neste sentido, é necessário não só desenvolver ações que visem a preservação e criação de áreas verdes, mas também ações que envolvam a conscientização e envolvimento da comunidade local. Toda ação que vise preservação deve ser acompanhada de uma ação de conscientização das comunidades do entorno. É necessário que a população não só perceba a importância daquela ação de preservação para a melhora na sua qualidade de vida e consequentemente de sua saúde física e mental, afinal somos produtos do meio ambiente e social que nos cerca; mas também que esta ação crie mecanismos sustentáveis para a utilização do espaço preservado.

 

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